Comprar casa a dois: o que combinar antes de assinar
Comprar casa a dois: o que combinar antes da escritura, quotas de cada um, crédito, separação e herança, casados ou em união de facto.

Comprar casa a dois corre melhor quando o casal combina, antes da escritura, quanto cada um paga, de quem fica a casa em que proporção e o que acontece se a relação acabar. Estas conversas parecem pouco românticas, mas evitam os conflitos mais comuns. O regime certo depende de serem casados, viverem em união de facto ou simplesmente comprarem juntos.
Casados, unidos de facto ou só namorados: o que muda
| Situação | De quem é a casa |
|---|---|
| Casados em comunhão de adquiridos | Em regra, dos dois em partes iguais, mesmo que um pague mais. |
| Casados em separação de bens | De quem constar na escritura, na proporção indicada. |
| União de facto ou namoro | De quem constar na escritura, na proporção indicada (compropriedade). |
Fora do casamento, a escritura manda. Se um dos dois dá mais dinheiro, convém que isso fique escrito na proporção de cada um (por exemplo, 60% e 40%).
Cinco coisas a combinar antes de assinar
1. Quanto cada um põe na entrada
Se um tem mais poupanças, decidam se isso se reflete na quota de cada um ou se é considerado um empréstimo ao outro. Ponham a decisão por escrito.
2. Como dividem a prestação e as despesas
Prestação, condomínio, IMI, seguros e obras. Uma conta conjunta só para a casa ajuda a manter tudo claro.
3. O que acontece se se separarem
As opções habituais são: um compra a parte do outro, vendem e dividem, ou arrendam e dividem a renda. Combinar isto antes evita decisões tomadas a quente.
4. O crédito habitação
No crédito, os dois respondem pela dívida toda perante o banco, mesmo que a casa seja 60/40. Se um deixar de pagar, o banco pode cobrar ao outro. Sair do contrato depois exige autorização do banco.
5. O que acontece se um morrer
Fora do casamento, o companheiro não é herdeiro legal. A quota de quem morre vai para os herdeiros (filhos, pais). O unido de facto tem alguns direitos sobre a casa de morada de família, mas um testamento e o seguro de vida do crédito dão mais segurança.
Benefícios para casais jovens
Se os dois tiverem até 35 anos e for a primeira casa, cada um pode usar a isenção do IMT Jovem na sua parte. Também podem recorrer à garantia pública para financiar até 100%, se cumprirem as condições. Quando só um tem até 35 anos, os benefícios aplicam-se apenas à parte dele. Confirme com o banco e com as Finanças antes de fechar o negócio.
Um acordo escrito simples
Não precisa de um contrato complicado. Um documento assinado pelos dois, com as contribuições, as percentagens e o plano para a separação, já ajuda muito. Para casos com valores diferentes ou filhos de relações anteriores, vale a pena falar com um advogado ou um notário.
Perguntas frequentes
Podemos pôr a casa só no nome de um?
Podem, mas quem não consta da escritura não é dono. Se contribuir com dinheiro, fica numa posição frágil se houver separação.
A união de facto dá direitos sobre a casa?
Dá alguns, sobretudo sobre a casa de morada de família em caso de morte ou separação. Não substitui a compropriedade nem o testamento.
E se só um tiver rendimentos estáveis?
O banco analisa os rendimentos dos dois. Às vezes compensa que o crédito fique nos dois nomes, mesmo com rendimentos diferentes, para somar capacidade.
Procurar a casa dos dois
No Portal Casa podem procurar casas à venda juntos, guardar favoritos na mesma conta e receber avisos de imóveis novos. Antes de decidir, veja a nossa checklist para comprar casa.
Fontes: Código Civil (regimes de bens e compropriedade); Lei da União de Facto. Informação geral, não substitui aconselhamento jurídico.
