Banco de Portugal aperta crédito: taxa de esforço máxima desce para 45%
A partir de 1 de agosto, a taxa de esforço máxima no crédito desce de 50% para 45%. Saiba o que muda, quem é afetado e o que fazer.

O Banco de Portugal vai apertar as regras do crédito: a partir de 1 de agosto de 2026, a taxa de esforço máxima recomendada desce de 50% para 45%. A regra aplica-se aos novos créditos cuja análise pelo banco aconteça a partir dessa data, e soma todas as prestações do cliente, incluindo carro e cartões. Também mudam os prazos máximos e as exceções que os bancos podem fazer. Quem já tem crédito não é afetado.
O que muda nas regras do crédito
O Banco de Portugal divulgou a 2 de julho uma nova recomendação macroprudencial. Ela substitui a de 2018, que continua a aplicar-se até 31 de julho. Estas são as mudanças principais.
Taxa de esforço máxima de 45%
A taxa de esforço (DSTI, na sigla em inglês) é o peso de todas as prestações mensais no rendimento do cliente. Os bancos calculam-na já com uma subida de juros simulada, para testar se a família aguenta juros mais altos. O Banco de Portugal manteve essa taxa de stress e baixou o limite de 50% para 45%.
Num exemplo dado pela imprensa: uma família com 2.000 euros de rendimento mensal, que podia ter até 1.000 euros em prestações, passa a ter um limite de 900 euros para o conjunto dos seus créditos.
Menos exceções para os bancos
Até agora, cada banco podia, em cada semestre, conceder até 10% do crédito a clientes com taxa de esforço até 60%, e mais 5% acima disso. Com as novas regras, fica só uma margem: até 10% do crédito concedido em cada semestre pode ter taxa de esforço acima de 45%.
Prazos máximos pela idade
Desaparece a regra do prazo médio dos contratos. Ficam dois limites diretos:
até 40 anos de prazo para quem tem 35 anos ou menos;
até 35 anos de prazo para quem tem mais de 35 anos.
Fim dos 100% nas casas dos bancos
Os bancos podiam financiar até 100% a compra de imóveis que eram deles. Essa exceção acaba: estas compras passam a seguir os limites gerais do rácio entre empréstimo e valor da casa (LTV), que são de 90% para habitação própria e permanente.
Quem é afetado pelas novas regras do crédito
| Situação | O que acontece |
|---|---|
| Já tem crédito habitação | Nada muda: as regras aplicam-se só a novos contratos. |
| O banco analisa o seu pedido até 31 de julho | Ainda conta a regra antiga, com limite de 50%. |
| O banco analisa o seu pedido a partir de 1 de agosto | Aplica-se o novo limite de 45%. |
| Tem crédito automóvel ou cartões com saldo | Essas prestações contam para a taxa de esforço e reduzem o que pode pedir para a casa. |
Porque é que o Banco de Portugal aperta agora
Segundo o Banco de Portugal, há cada vez mais compradores de primeira casa jovens, normalmente com rendimentos mais baixos, e as famílias estão mais endividadas. As regras servem para evitar que se peça mais do que se consegue pagar se os juros subirem, como aconteceu em 2022 e 2023.
O Banco de Portugal prevê um impacto limitado na concessão de novos créditos. As medidas são, por agora, recomendações: os bancos podem afastar-se delas, mas têm de justificar e reportar. O supervisor já disse que tenciona torná-las obrigatórias.
O que fazer se vai pedir crédito
Calcule a sua taxa de esforço já com 45%. Some todas as prestações e divida pelo rendimento líquido. Deixe margem para a subida de juros que o banco vai simular.
Liquide créditos pequenos antes de pedir. Um cartão ou um crédito ao consumo pode custar-lhe dezenas de milhares de euros de capacidade de crédito para a casa.
Peça a aprovação antes de agosto, se fizer sentido. Conta a data da análise de solvabilidade, não a data da escritura. Não precipite uma compra só por causa disto.
Perguntas frequentes
A garantia pública para jovens continua?
Sim. A garantia do Estado não depende desta recomendação. Mas mesmo com garantia, o banco tem de respeitar o limite da taxa de esforço, que passa a 45%.
A minha prestação atual vai subir por causa disto?
Não. Estas regras não mexem nos contratos em curso. A prestação de quem tem taxa variável muda com a Euribor, não com esta recomendação.
Procurar casa dentro do seu orçamento
Com o novo limite, saber quanto pode gastar antes de visitar casas é ainda mais importante. No Portal Casa pode filtrar casas à venda por preço máximo e guardar a pesquisa para ser avisado quando aparecerem imóveis novos ou baixarem os preços. Veja também o nosso guia sobre o que os bancos analisam antes de aprovar.
Fontes: Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, do Banco de Portugal; ECO, 2 de julho de 2026. Informação válida à data de publicação.
